Complexo de irmã do meio
# Complexo de irmã do meio
Antes de qualquer coisa, preciso admitir talvez eu esteja sendo um pouco falsa escrevendo esse texto. Isso porque, tecnicamente, sou meia irmã do meio. Como assim? Sou a irmã mais velha por parte de mãe e a do meio por parte de pai. O que isso muda? Piora tudo, obviamente.
Agora, vamos ao ponto.
O estereótipo da irmã do meio já está bem fixado na mente de todo mundo ,a esquecida, a que ninguém liga, a que parece perdida entre a primogênita e a caçula. Mas pouca gente realmente fala sobre como é ser a irmã do meio.
Ser irmã do meio é crescer ouvindo “não seja como sua irmã” ou ser constantemente comparada a ela, porque, já que ela não atingiu as expectativas, você precisa superá-las. E, para piorar, ainda tem o irmão mais novo ,aquele que todo mundo idolatra, que é automaticamente visto como a melhor versão possível. Ou seja, a comparação vem em dobro.
Se você se identificou, bem-vindo ao clube dos irmãos do meio (e ao meu mundo também). Minha única dica? Considere terapia. Sério.
Mas voltando ao ponto: todo mundo fala dos irmãos mais velhos, e mais ainda dos mais novos. Mas onde nós entramos nisso tudo?
Nós somos os observadores. Ouvimos nossos pais falarem dos nossos irmãos mais novos e contarem tudo o que passaram, enquanto escutamos a outra versão da história a deles. Sempre lidamos com duas narrativas: o "como as coisas eram antes" e o "como tudo mudou". E se a diferença de idade for grande, como no meu caso (oito anos e meio), a sensação de estar no meio do nada só aumenta.
É estranho perceber que seus pais já eram pais antes de você. Que você não os conhece tão bem quanto seus irmãos mais velhos, mas ao mesmo tempo sabe muito mais sobre eles do que os mais novos jamais saberão. E os mais novos? Ah, esses são os deuses, os perfeitos, os famosos “raspa do tacho” espero que essa expressão não seja só goiana, senão acabei de perder metade da audiência.
Ser irmão do meio é, acima de tudo, observar. Nós vemos tudo, ouvimos tudo. Somos os irmãos psicólogos sabemos lidar com os problemas de todo mundo, menos os nossos. Conseguimos enxergar todas as situações, menos as nossas próprias. E, no fim das contas, acabamos esquecidos por nós mesmos.
E quando lembramos da nossa existência? Normalmente, é para nos comparar ou para reforçar que precisamos ser melhores. Porque nossos pais já passaram por decepções demais e nós não podemos ser mais uma. Sabemos exatamente o que eles pensam, sabemos como agir, o que dizer, como ajudar. Estamos ali para eles, para os nossos irmãos, para os outros... Mas e nós?
Onde a gente fica?
Ficamos trancamos no quarto e escrevemos textos na esperança de que alguém entenda, para não parecermos malucos? (Brincadeira. Ou não.)
Mas, falando sério agora , aonde nós ficamos, enquanto tentamos ajudar todo mundo, menos a nós mesmos?
E no final , as vezes é sobre isso ser irmão do meio e está tudo bem , provavelmente vamos continuar sendo os psicólogos não remunerados dessa família e escutando música alta no quarto .
Façam terapia galera ;)


